LS Tractor, ligada à LG, investe numa fábrica em Santa Catarina para produzir 5.000 tratores de pequeno e médio porte por ano
por Vinicius Galera de Arruda*, da Coreia do Sul
Song Young-Hoon e um dos modelos que devem ser fabricados no Brasill
Em quatro décadas, a Coreia do Sul deixou de ser um país com níveis de fome alarmantes para se tornar um dos 15 mais desenvolvidos do mundo. O progresso se deu graças a investimentos em educação e tecnologia. Agora, o surpreendente avanço capitaneado por gigantes como Hyundai, Samsung e LG está chegando ao mercado agrícola brasileiro. A LS Tractor, originalmente ligada à LG e o principal fabricante do setor no país, deve inaugurar, em 2013, uma planta na cidade de Garuva (SC) com capacidade para produzir 5 mil unidades por ano.
A previsão é fabricar tratores de pequeno e médio porte, entre 25 e 100 cv (cavalos-vapor), com base na experiência de 30 anos do grupo. “Pensamos no mercado brasileiro desde 2010”, diz Song Young-Hoon, diretor de exportação da divisão de tratores da LS, ao comentar a inclusão do país entre os fabricantes da marca, que tem plantas na Coreia do Sul e na China e exporta para América do Norte, Europa, Oceania, Sudeste Asiático e África.
O posicionamento no Brasil é estratégico para as ambições da empresa, cujo faturamento chegou a US$ 276 milhões em 2011. A fábrica catarinense, no nordeste do Estado, ficará próxima dos principais portos do sul do país. Inicialmente, a intenção é atender ao mercado interno, mas, ressalta Song-Hoon, “a tendência é a expansão para a Américas do Sul e Latina”. Quando chegar o momento, o terreno de Garuva pode ganhar uma segunda instalação.
Em Jeonju, no coração da Coreia do Sul, onde são produzidos 15 mil tratores por ano, Lee Kwang-Won, o entusiasmado presidente da divisão de tratores da empresa, explica que os tratores serão adequados à realidade do Brasil. “Serão oferecidos de 30 a 50 modelos”, diz. O preço também ficará abaixo dos competidores.
A inovação está entre os principais pilares da LS. O grupo investe 5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento. Alguns projetos, como o trator híbrido, contam com o apoio do governo, que costuma incentivar novidades em benefício da economia. Nos anos 1970, o país tornou-se autossuficiente na rizicultura com suporte do estado. A fome acabou, mas os coreanos não se esquecem de um ditado milenar que diz que é preciso manter a mente e o espírito famintos. Assim, a Coreia do Sul pôde investir em educação. Daí para o desenvolvimento tecnológico foi um salto. Gigantesco.
Choque no mercado
Um espaço quase escondido da fábrica da LS em Jeonju guarda a menina dos olhos dos engenheiros coreanos: o protótipo de um trator híbrido. O segredo industrial vem sendo desenvolvido há dois anos, com 100 cv movidos a diesel e os 10 restantes gerados a partir de energia elétrica. A vantagem é que o motor trabalha com as duas engrenagens. A eficiência pode ser aumentada em 10% quando o operador aciona a parte elétrica, o que também significa economia de energia. O trator elétrico deve começar a ser fabricado a partir de março de 2013 – em um primeiro momento, apenas na Coreia do Sul.
*Vinicius Galera de Arruda viajou à Coreia do Sul a convite da LS Tractor
Fonte: Revista Globo Rural
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