sexta-feira, 22 de julho de 2011

Aquicultura pode ajudar a reduzir a fome no mundo


Segundo pesquisador, para que a atividade cresça e atenda a demanda é preciso encontrar novas fontes de nutrientes para os peixes

por Globo Rural On-line
Ernesto de Souza
Segundo Daniel Eduardo de Lemos, a aquicultura já divide igualmente com a pesca o fornecimento de pescado mundial











Até o ano de 2050, o mundo passará dos atuais 6,7 bilhões para mais de 9 bilhões de habitantes agravando um problema já existente: a fome mundial. No cenário de 2050, delineado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), as nações da Ásia e da África subsaariana abrigarão 60% da população do planeta.

Diante desse quadro, o professor Daniel Eduardo Lavanholi de Lemos, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), acredita que a aquicultura possui um importante papel a cumprir. “O pescado já é segunda maior fonte de proteína animal atrás apenas dos suínos”, assinalou o professor da USP, ressaltando que a aquicultura já divide igualmente com a pesca o fornecimento de pescado mundial. 


A diferença é que a produção pesqueira não cresce desde o ano 2000 enquanto que a aquicultura aumenta a cada ano e ainda tem muito potencial para se expandir, segundo o especialista. “Assim como ocorreu com a caça, que não responde mais pelo suprimento de alimentos para o homem, era previsível que o mesmo ocorresse com a pesca”, assinala Lemos.

No entanto, para crescer de maneira sustentável, a criação de pescado deve enfrentar vários desafios. Um dos maiores será o de encontrar fontes alternativas de nutrientes para as rações de piscicultura.

De acordo com informações da Agência Fapesp, isso ocorre porque ainda se usam recursos marinhos na aquicultura. Boa parte da alimentação dos animais criados em tanques são rações compostas por farinha feita com peixes pescados e a redução dos estoques naturais tem tornado a matéria-prima mais rara e o produto a cada dia mais caro. “A escassez desse insumo levará a buscas mundiais cada vez maiores por fontes de nutrientes essenciais”, afirma.

Encontrar soluções sustentáveis para a nutrição na aquicultura é o desafio atual de Lemos que coordena o projetoDeterminação in vitro da digestibilidade da proteína alimentar para peixes em aquicultura.


Subprodutos agrícolas
Boa parte da resposta para a questão da aquicultura sustentável estaria na agricultura. Com produção mundial crescente, muitos subprodutos agrícolas poderão entrar na composição de rações sem prejuízo para a produção de alimentos, acredita o professor.

“A tendência é usar fontes cada vez mais grosseiras para as rações e deixar as matérias-primas mais nobres para o consumo humano”, afirmou. Segundo ele, o arroz quebrado, por exemplo, é componente de rações no Ocidente, mas a China não se dá mais ao luxo de lançá-lo aos animais, pois prefere destiná-lo à população.

Com um setor agropecuário, o Brasil desponta como um potencial fornecedor de insumos para a aquicultura, na opinião de Lemos, além de possuir vastas extensões de espelhos d’água a serem exploradas.

E mesmo com os desafios relacionados à nutrição sustentável, a aquicultura ainda apresenta inúmeras vantagens em relação aos outros tipos de criação animal. O pesquisador lembra que mais de 50% da produção aquícola prescinde de ração como algasostrasvieiras e mexilhões ou de peixes que não consomem proteína animal.

Os animais aquáticos também são os que melhor convertem nutrientes em carne, pois não gastam energia para produzir calor como os animais homeotérmicos e sofrem menos a ação da força da gravidade, o que também demanda energia para a manutenção estrutural do corpo.

“Teremos que saber administrar cada vez melhor os nutrientes e saber usar os recursos nutritivos para a aquicultura de modo que ela se torne solução para a falta de alimentos, e não parte desse problema”, explica.

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